Just another WordPress.com site

Archive for Janeiro, 2016

O Fim do Inicio

Faz hoje…. precisamente um ano, um ano em que a minha vida começou e acabou no mesmo dia, mal sabia eu do que ainda tinha para vir…Foi diferente, foi bom, foi intenso, a minha realidade tinha mudado bruscamente, sentia-me uma nova pessoa, capaz de sentir aquelas sensações que tinha esquecido à tanto tempo, custou-me porque tinha medo, medo de voltar a cair, medo de perder alguém que amava de novo, medo de me perder … mal sabia eu, que agora estaria completamente apavorada, aquele medo foi embora…e eu arrisquei, muito mais do que arriscar naquela nova conquista, era arriscar em mim e em todas as memórias passadas que eu teria de “esquecer”, arrisquei e consegui, poucos dias depois sentia-me uma nova pessoa, renascida, cheia de força, com alegria e vontade de viver. Foi aqui… que o inicio de algo lindo, achava eu, surgiu, foi naqueles dias que eu senti que finalmente estava preparada para fazer tudo diferente para melhor.

Dei tudo de mim, dei do meu tempo, do meu coração e do meu amor, estava apaixonadíssima, ele era o homem dos meus olhos, mais ninguém fazia sentido, era ele, eu tinha a certeza que era ele. Andava delirante, entusiasmada com tudo o que planeava com ele, as viagens, os planos, falávamos de filhos e de como seria a nossa casa, estava cada vez mais confiante que tudo ia correr bem, finalmente todos os meus sonhos e planos se poderiam concretizar, estava feliz e sentia-me tão amada.

Com o tempo, casa, viagens e ainda mais dias por passarmos juntos… incertezas surgiram, foram desgastantes faltas de segurança… com esses dois grandes pesos da balança, estava tudo desequilibrado, já parecíamos mais dois bichos, do que dois adultos serenos apenas a tentar resolver as coisas, as oscilações eram constantes, já tudo e todos ao nosso redor estavam a influenciar coisas que pessoas seguras de si não precisam de se preocupar… o Amor as vezes acontece e trás com ele estes pesos, que nem sempre são ultrapassáveis e como nós, existem milhões, que têm tudo para dar certo, mas os pedregulhos da vida gostam de nos por a prova, se calhar a conclusão que posso tirar daqui é que não estávamos preparados, os nossos valores precisam de ser outros e melhores, porque estes desgastaram e permitiram que nada desse certo, ou se calhar a única explicação é que não somos feitos um para o outro, com certeza que vai existir alguém no mesmo “nível de consciência” do que nós, exactamente com o mesmo nível e isso é o que nos vai fazer ter a certeza de que vai ser “para sempre”, porque “para sempre” é muito tempo e ainda não sei como é realmente ter noção disso.

É egoísta apenas falar de amor, já viram que o nosso lema na maioria das vezes é sobre o amor? Mas a melhor conclusão é que nada dura só com Amor? Precisamos de tantos outros pesos, para a balança estar realmente equilibrada, tentamos tanto amar, que apenas nos esquecemos do amor, focamos -nos em sentimentos desgastantes e possessivos que o amor pode trazer, esquecemo-nos da confiança, da bondade, da união da partilha e do respeito , por exemplo… e são todos juntos muito mais importantes, o que faz de muitas relações únicas e quase “eternas” e imortais, é quando elas têm o ultimo ingrediente, o Amor.

Todos os dias tinha medo de novo, porque achava que mais cedo ou mais tarde iria perder todas aquelas pequenas conquistas, conquistas estas que me faziam acreditar naquele sentimento bom, o tal Amor , lembra-se ? Sabem aquela sensação de que deram tudo de vocês, como nunca tinham dado anteriormente, com pessoas que tinham-se esforçado tanto, mas apenas esta, pela primeira vez na vida, nem sabendo bem porque, vocês investiram tudo, e achavam que o facto de estarem preparados, era motivo para resultar, porque deixaram de ser egoístas, aprenderam a ceder, a pedir desculpa, a ouvir antes de agir e de julgar, aprenderam a partilhar a 100%, a partilhar uma casa e lidas domésticas, coisas que nunca tinham feito de forma tão intensa com outra pessoa… e isso estaria quase a acabar, não porque tinham a certeza, porque não tinham… mas porque aquele vosso dedo que adivinha estava todos os dias a latejar na tua consciência “prepara-te, está algo para acontecer”.

Todos os dias pensava nisto, e tentava me relembrar de todos os bons momentos que me faziam ainda estar aqui, à espera , de uma mudança na nossa vida, quase como um milagre que te fizesse olhar para mim com respeito , e a dedicação que eu merecia, aquela sabes… que nunca te faltou a ti… enfim, sentia-me apavorada, porque ia passar por todo aquele processo de perda, de sentimento de vazio no peito, os pesadelos, e desta vez … o vazio da minha cama… do meu dedo… do meu dia-a-dia, da minha vida… Era destrutivo pensar nisto, porque desta vez, eu tinha me dedicado de corpo e alma.

O amor que sentia queimava o meu peito, apertava-me o coração sempre que pensava nele, sempre que me lembrava dos sorrisos e das gargalhadas que me fizeram dar, de todos os momentos de carinho, e até das discussões no sofá da sala antes de dormir, foi um pesadelo, foi aqui que me perdi, que senti que era o fim, não só desta relação, dos sonhos dos planos… era o meu fim também, sabia que tinha que ir até ao fundo do poço, para subir e ser ainda mais forte , nunca tinha criado tantas expectativas, por isso esta queda ia sim… doer muito.

E assim foi, todos os dias doeu, todos os dias me fez chorar, pensar e repensar no porque ? Porque que desta vez não tinha resultado, por muitos dias , meses… me culpei, e no fim só me massacrei, de uma forma tão cruel, que já eu mesma tinha pena de mim, porque estava completamente perdida, e logo eu… que não merecia, um dia olhei para os comprimidos na cama, para os copos de água, para as beatas dos cigarros apagados no cinzeiro, e vi que apenas me estava a maltratar mais, quem estava mesmo a sofrer era eu… o outro lado parecia nem se lembrar mais de mim, mas eu ainda aqui estou, quase no mesmo sitio… mas mais no fundo do que a uns tempos atrás, já estava na hora de seguir em frente, de aceitar e passar por cima, recordar como uma aprendizagem, como algo que fez parte… fez, digo bem… passado, agora já não pertencia mais ao meu presente, só me estava a afogar mais nos momentos passados, nas mentiras, nas ilusões. Um dia tinha de ser o dia, e ele chegou, por mais que custe, existem coisas que precisam acontecer, precisamos de sofrer, de cair e ficar com cicatrizes, a vida é mesmo assim… todos os dia nos abre uma ferida, ás vezes custam mais a passar, a cicatrizar, e a estarem prontas para mais umas cacetadas da vida, a minha já tomou a consistência que está na hora de deixar que alguém, alguma coisa… alguma motivação, cuide dela, e a faça naturalmente ficar fechada de novo, viva de novo… pronta de novo.

 

Faz hoje precisamente um ano que ganhei noção de que era o Fim do Início.

 

 

Mc ❤

Com amor Fim.

Nuvem de etiquetas